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http://hdl.handle.net/10071/36940| Autoria: | Lima, Luisa Camilo, Cristina Rodrigues, David Romão, Ângela |
| Data: | Jan-2025 |
| Título próprio: | A Amizade em Portugal: Como é? O que mudou? Relatório 2: Relatório final |
| Referência bibliográfica: | Lima, M. L., Camilo, C., Rodrigues, D., & Romão, Â. (2025). A Amizade em Portugal: Como é? O que mudou? Relatório 2: Relatório final. Lisboa: CIS-Iscte. http://hdl.handle.net/10071/36940 |
| Palavras-chave: | Amizade -- Friendship Conexão social solidão Saúde |
| Resumo: | Damos muita importância às relações sociais que estabelecemos ao longo da vida. A investigação tem vindo a mostrar que temos boas razões para isso: quem tem relações positivas com os outros tem melhor saúde e quem está isolado socialmente tem maior probabilidade de morte prematura. Há 10 anos fizemos um estudo em que mostrámos que os relacionamentos presenciais tinham uma maior importância para a saúde do que os relacionamentos online. Passados 10 anos, quisemos saber como estão as amizades em Portugal e qual o impacto da pandemia de COVID-19 nessas relações. Por outro lado, quisemos explorar os benefícios que as amizades podem trazer para a nossa saúde: se é o número de amigos ou a qualidade das amizades que mais conta; e se os impactos das amizades são diferentes dos de outros relacionamentos – como os familiares ou os grupais. Para isso, realizámos um estudo online em que inquirimos 1000 pessoas entre os 18 e os 64 anos, numa amostra estratificada, de modo a corresponder às caraterísticas da população portuguesa desta faixa etária com acesso à internet. A amostra mostrou-se equilibrada em termos de género, apresentou uma média de idade de 41 anos e, em termos escolaridade, 26% tinham até ao 9.º ano e 36% níveis superiores ao 12.º ano. Na sua maioria, os participantes (91%) identificaram-se como heterossexuais, 55% estavam casados ou em união de facto, 35% eram solteiros, e apenas 13% dos participantes viviam sozinhos. Além disso, 49% dos participantes viviam em zonas urbanas e a grande maioria (78%) estava empregada. Os resultados mostram que os portugueses têm, em média, uma boa rede social: 12 amigos e 3 amigos íntimos, dos quais 2 muito próximos. Os nossos amigos mais próximos acompanham-nos desde há muito tempo: desde a infância, a escola ou a universidade. Apesar de mantermos amigos de há muito tempo, a nossa rede de amigos vai variando: no último ano 40% da nossa amostra fez um novo amigo e 27% perdeu um amigo. Os nossos amigos parecem-se connosco: são do mesmo país, da mesma etnia, com a mesma orientação sexual, da mesma idade e têm as mesmas opções religiosas que nós. Só é frequente termos amigos diferentes quanto à posição política, escolaridade e género. A maior parte dos portugueses mantém encontros regulares com os amigos. Encontra-se com amigos, em média, pelo menos uma vez por semana e falam com dois dos seus amigos mais próximos pelo menos de 15 em 15 dias. Nos encontros com os amigos os temas de conversa mais frequentes são a família, o trabalho, ou eventos e cultura. Há cerca de 18% da amostra que escolhe um amigo para falar quando tem um problema, mas nessa situação falam mais frequentemente com o companheiro/a (57%) ou com familiares (20%). Apesar de termos encontrado este padrão de um bom relacionamento social dos portugueses, há uma parte preocupante da nossa amostra que está sozinha. Há 5% de pessoas que diz que não tem amigos, 11% que não tem ninguém com quem falar sobre os seus problemas e 22% que frequentemente ou sempre se sente só. Também analisámos outros relacionamentos para além da amizade – o familiar e o de grupo. Vimos que os portugueses contactam, em média e de forma regular, com 6 pessoas de família e com 9 pessoas de grupos ou associações onde desenvolvem atividades. No geral, mostram-se satisfeitos com estes relacionamentos, com 35% das pessoas a afirmarem estar satisfeitas ou muito satisfeitas. No entanto, a satisfação é maior no caso das amizades, atingindo os 46%. Um segundo objetivo deste estudo era o de analisar as diferenças relativamente ao estudo de 2015. Vimos que as relações sociais dos portugueses sofreram alterações significativas, apesar da maioria da amostra não parecer ter consciência disso. Observámos uma clara redução do número de amigos e de amigos íntimos, o aumento da solidão e a diminuição da integração social. Estes efeitos foram mais marcantes entre as pessoas mais vulneráveis e os jovens. Colocamos a hipótese que estas diferenças reflitam mudanças importantes nas dinâmicas de convivência e apoio associadas ao COVID-19. Finalmente, queríamos testar a ligação dos relacionamentos à saúde. As nossas análises mostraram que a qualidade das relações de amizade é, sistematicamente, mais relevante para a saúde e o bem-estar dos portugueses do que a quantidade de amigos ou a frequência dos contatos sociais. Além disso, as relações de amizade destacam-se quando comparadas com outros tipos de relacionamento (familiar e de grupo). Em todas as análises de ligação à saúde, a qualidade das relações de amizade tem duas vezes mais impacto na saúde do que a qualidade das relações de familiares. Já as relações de grupo influenciam apenas a saúde física. Os nossos resultados mostram que os relacionamentos de qualidade e, em particular, as amizades, estão bem ligadas à saúde e ao bem-estar dos portugueses. Mas encontrámos diferenças relevantes em função das principais variáveis sociodemográficas consideradas, o que mostra que os relacionamentos não são apenas moldados por caraterísticas individuais, mas que os contextos sociais e as desigualdades sociais pesam na construção das amizades. O estatuto socioeconómico foi o aspeto que influenciou de forma mais sistemática os resultados. Os nossos dados ilustram como das desigualdades sociais impactam a vida privada e relacional dos portugueses. São as pessoas mais abastadas que têm mais amigos, mais convívio com amigos e maior satisfação com as amizades e com as relações familiares e de grupo. Este é também o grupo que menos alterou o seu padrão de relacionamento com amigos desde há 10 anos. Em oposição, os mais pobres têm menos amigos, menos convívio e sentem mais solidão. São também o grupo que, desde 2015, mais perdeu em termos de relacionamento, capital social, saúde e bem-estar. Encontrámos algumas diferenças de género. Os homens, comparativamente com as mulheres, dizem ter mais amigos, mas menos amigos íntimos. Falam mais com os amigos de desporto e de política, enquanto elas falam mais sobre a família e sobre questões de saúde mental. Com a idade, os homens restringem à companheira a partilha de problemas, diminuindo esse tipo de interação com os amigos e familiares. As mulheres, à medida que ficam mais velhas, tornam-se mais independentes do seu companheiro para a partilha de problemas e aumentam essas partilhas com amigos e família. No geral, elas estão mais satisfeitas com as relações de amizade e com as relações familiares Encontramos algumas diferenças por grupo etário. As pessoas mais jovens, comparativamente com as mais velhas têm mais amigos próximos, convivem mais frequentemente com os amigos, falam mais com os amigos sobre saúde mental e eventos e estão mais satisfeitas com as suas amizades e com os grupos a que pertencem. Apesar disso, são as que se sentem sós com mais frequência e, comparativamente com 2015, foi neste grupo que se observou uma diminuição do convívio com amigos. Os nossos resultados contrariam assim o estereótipo de que os mais velhos são quem se sente mais só. |
| Arbitragem científica: | no |
| Acesso: | Acesso Aberto |
| Aparece nas coleções: | CIS-OPN - Outras publicações nacionais |
Ficheiros deste registo:
| Ficheiro | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| report_hdl36940.pdf | 1,95 MB | Adobe PDF | Ver/Abrir |
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