Os espaços públicos e as manifestações de protesto: O Eixo: Praça Marquês de Pombal - Avenida da Liberdade - Praça do Rossio, em Lisboa (1974 – 2014)

dc.contributor.advisorPinto, Paula Cristina André dos Ramos
dc.contributor.advisorPinto, Paulo Tormenta
dc.contributor.authorAmorim, Patrícia de Souza Cançado
dc.date.accessioned2026-05-29T14:05:27Z
dc.date.issued2026-05-06
dc.date.submitted2025-12
dc.description.abstractA presente investigação parte da identificação, por meio de conhecimento empírico acumulado e dedução fundamentada, do eixo formado pela Praça Marquês de Pombal, Avenida da Liberdade e Praça do Rossio como principal corredor das manifestações de protesto em Lisboa. A constatação recorrente da centralidade simbólica e da ativação política desses espaços motivou o desenvolvimento de um capítulo introdutório dedicado à análise da sua construção histórica, territorial e representacional, visando compreender como tais lugares se consolidaram, ao longo do tempo, como referências estruturais e simbólicas no imaginário coletivo da cidade, oferecendo um suporte para a expressão das tensões sociais, reivindicações políticas e práticas de cidadania ativa. Diante do marco legal que institui o direito de manifestação como um direito fundamental, a investigação concentra-se no levantamento e na construção de uma narrativa analítica sobre os espaços públicos lisboetas sistematicamente eleitos como cenário de protestos urbanos entre os anos de 1974 e 2014. Essa etapa foi realizada com base na recolha de dados provenientes de reportagens e notas publicadas ao longo de quatro décadas pelo jornal Expresso, fonte escolhida pela sua continuidade histórica e papel de relevância na mediação jornalística portuguesa. A escolha metodológica desse recorte temporal justifica-se por três razões principais: a) o recuo ao ano de 1974, que marca uma profunda rutura política, social e económica no país com a Revolução dos Cravos e o fim do regime ditatorial; b) a extensão até 2014, ano em que Portugal participa da onda global de protestos que caracterizou a segunda década do século XXI, com Lisboa assumindo protagonismo nas manifestações de contestação social e política; c) a constatação de uma lacuna investigativa quanto às relações entre os espaços públicos em Portugal e as dinâmicas de protesto urbano, frequentemente ausente nas análises da arquitetura, urbanismo e ciências sociais em contexto nacional. Por fim, como forma de aprofundar a compreensão sobre os fatores espaciais que podem contribuir para a eleição de determinados lugares como preferenciais para a prática do protesto, adotou-se, de maneira complementar e com carácter experimental, a Teoria da Lógica Social do Espaço, ou Sintaxe Espacial. Essa abordagem metodológica baseia-se na construção e análise de mapas axiais, capazes de revelar padrões de configuração urbana relacionados à acessibilidade, visibilidade e integração dos espaços no tecido urbano. A metodologia foi aplicada a cartografia histórica e cartografia atual de Lisboa, com o objetivo de perceber se a forma urbana, em sua dimensão física, contribui para reforçar ou condicionar as práticas sociais e políticas no espaço público. Parte-se da premissa de que o espaço não é neutro, mas sim dotado de um conteúdo social estruturante, que atua de maneira simultânea como palco e agente das interações coletivas que nele se realizam.
dc.description.abstractThis research begins with the identification - through accumulated empirical knowledge and reasoned deduction - of the axis formed by Praça Marquês de Pombal, Avenida da Liberdade, and Praça do Rossio as the main corridor of public demonstrations in Lisbon. The recurring recognition of the symbolic centrality and political activation of these spaces motivated the development of an introductory chapter dedicated to analyzing their historical, territorial, and representational construction, aiming to understand how these places have been consolidated over time as structural and symbolic references in the city's collective imagination, providing a foundation for the expression of social tensions, political demands, and practices of active citizenship. In light of the legal framework that establishes the right to protest as a fundamental right, the research focuses on the survey and analytical narrative of public spaces in Lisbon that have been systematically chosen as settings for urban protests between 1974 and 2014. This stage was based on the collection of data from reports and notes published over four decades by the newspaper Expresso, a source chosen for its historical continuity and its relevant role in Portuguese journalistic mediation. This methodological choice of time frame is justified by three main reasons: a) the retrospective to 1974, a year that marks a profound political, social, and economic rupture in the country with the Carnation Revolution and the end of the dictatorial regime; b) the extension through 2014, a year in which Portugal was part of the global wave of protests that characterized the second decade of the 21st century, with Lisbon assuming a prominent role in movements of social and political contestation; c) the identification of a research gap regarding the relationship between public spaces in Portugal and the dynamics of urban protest, frequently absent from the analyses in architecture, urbanism, and social sciences in the national context. Finally, as a way to deepen the understanding of the spatial factors that may contribute to the selection of specific places as preferential for protest practices, the Theory of the Social Logic of Space—or Space Syntax—was adopted in a complementary and experimental manner. This methodological approach is based on the construction and analysis of axial maps, capable of revealing patterns of urban configuration related to accessibility, visibility, and spatial integration within the urban fabric. The methodology was applied to both historical and current cartographies of Lisbon, with the aim of understanding whether the urban form, in its physical dimension, contributes to reinforcing or conditioning the social and political practices in public space. The premise is that space is not neutral but instead holds a structuring social content, simultaneously acting as both stage and agent of the collective interactions that occur within it.
dc.identifier.citationAmorim, P. de S. C. (2026). Os espaços públicos e as manifestações de protesto: O Eixo: Praça Marquês de Pombal - Avenida da Liberdade - Praça do Rossio, em Lisboa (1974 – 2014) [Tese de doutoramento, Iscte - Instituto Universitário de Lisboa]. Repositório Iscte. http://hdl.handle.net/10071/37384
dc.identifier.isbn978-989-584-316-9por
dc.identifier.tid101557540
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/10071/37384
dc.language.isopt
dc.peerreviewedyes
dc.rightsopen access
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
dc.subjectEspaço público
dc.subjectManifestações de protesto
dc.subjectSimbologia espacial
dc.subjectConfiguração urbana
dc.subjectPublic space
dc.subjectProtest demonstrations
dc.subjectSpatial symbolism
dc.subjectUrban configuration
dc.subject.fosHumanidades::Artes
dc.subject.fosEngenharia e Tecnologia::Outras Engenharias e Tecnologias
dc.titleOs espaços públicos e as manifestações de protesto: O Eixo: Praça Marquês de Pombal - Avenida da Liberdade - Praça do Rossio, em Lisboa (1974 – 2014)
dc.typedoctoralThesispor
dspace.entity.typePublication
iscte.subject.odsCidades e comunidades sustentáveis
thesis.degree.departmentDepartamento de Arquitetura e Urbanismo
thesis.degree.nameDoutoramento em Arquitetura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos

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